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Redação

A navegação

O presidente Jair Bolsonaro defendeu hoje (17), em uma transmissão ao vivo em sua página no Facebook, a possibilidade de comunidades indígenas desenvolverem atividades de mineração e agropecuária em seus territórios.

Bolsonaro recebeu um grupo de indígenas das etnias Parecis (Mato Grosso), Macuxi (Roraima), Xucuru (Pernambuco) e Yanomamis (Amazonas/Roraima), que reivindicam o direito de explorar as reservas tradicionais. Eles foram levados ao encontro com o presidente pelo secretário de Assuntos Fundiários do governo, Naban Garcia. O senador Chico Rodrigues (DEM-RR) também participou da transmissão.

“O que nós pudermos fazer para que vocês tenham autonomia sobre todo o perímetro geográfico de vocês, nós faremos”, afirmou o presidente sobre a possibilidade de permitir a exploração econômica das reservas. Bolsonaro ressaltou que, se as comunidades indígenas quiserem, devem ter liberdade para produzir e obter recursos minerais no território.

Primeiro a falar na transmissão, Arnaldo Parecis destacou o desejo de parte dos indígenas de obter permissão para desenvolver atividades agropecuárias nas áreas demarcadas. Ele se apresentou como integrante do grupo de índios agricultores. “Grande parte da população indígena legitimamente representada por nós, índios, tem interesse de desenvolver atividades agrícolas, minerais ou de exploração, de maneira sustentável, dentro das nossas terras, para melhorar a nossa qualidade de vida, suprindo a necessidade de alimentos, a desocupação nas nossas terrar por falta de trabalho”, afirmou.

Segundo Abel Macuxi, de Roraima, a proibição de exploração da terra mantém as comunidades em situação de pobreza. “Nós estamos em cima da riqueza, mas ainda continuamos pobres. Viemos aqui representar nossos agricultores que querem plantar, mas não têm apoio”, disse Abel, que revindicou o direito de praticar atividades pecuárias nas terras demarcadas

“Eles ficam proibindo a gente de criar gado. O índio não pode ser fazendeiro, por que será? Somos todos iguais”, acrescentou.

Bolsonaro criticou a atuação de organizações não governamentais (ONGs) em questões indígenas e ressaltou que não aceitará “intermediários” na relação do governo com os índios. “O povo indígena é o que diz o que a Funai vai fazer. Se não for assim, eu corto toda a diretoria da Funai”, afirmou.

Constituição

O Artigo 231 da Constituição Federal condiciona atividades minerais no território indígena à prévia autorização do Congresso Nacional e à concordância da população indígena que vive sobre o território. Pela Constituição, as reservas tradicionais demarcadas são de “usufruto exclusivo” dos indígenas, incluindo as riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes.

Como existem dúvidas sobre como seria autorizada a exploração agropecuária em terras indígenas – com aprovação do Parlamento ou por meio de decreto presidencial –, Bolsonaro prometeu enviar ao Legislativo projeto com esse objetivo, caso seja necessário.

“Se depender do Parlamento, vamos apresentar propostas ao Parlamento brasileiro, que é soberano para decidir essas questões. E se Deus quiser, vamos tirar o índio da escravidão de péssimos brasileiros e de ONGs internacionais”, afirmou.

Foto: Carolina Antunes/PR

O juiz Fernando Bardelli Silva Fischer, da 9ª Vara Criminal de Curitiba, negou o pedido de restituição de bens feito pela defesa de Beto Richa. O ex-governador do Paraná é réu em três ações penais vinculadas à Operação Quadro Negro, que apura desvios de cerca de R$ 20 milhões destinados a construção e reforma de escolas públicas. Richa responde pelos crimes de corrupção passiva, fraudes à licitação, além de obstrução de investigação e formação de organização criminosa.

Na denúncia, o Ministério Público sustenta que o ex-governador se beneficiou com o pagamento de propinas. Richa tinha sido preso no dia 19 de março, mesma data em que foi cumprido mandado de busca e apreensão em endereços dele. Foram apreendidos diversos bens, como óculos de sol, abotoaduras, canetas, relógios, prendedor de gravatas, cinto, correntes, pulseira, anel, entre outros.

A defesa de Richa alega que os objetos não têm relação com os crimes investigados, não foram adquiridos com valores ilícitos e, portanto, pediu a restituição dos bens. No despacho desta quarta-feira (17), o juiz afirma que os fatos sugeridos pela defesa de Richa só vão ser esclarecidos ao final da apuração. Além disso, ele ressalta como os objetos ‘apresentam considerável valor econômico’ e, neste momento, ‘não se descarta a possibilidade de que tais bens estejam direta ou indiretamente vinculados com’ as práticas fraudulentas.

O Gaeco, do Ministério Público, também tinha pedido à Justiça que os bens fossem leiloados, com o objetivo de impedir a desvalorização do patrimônio. O juiz entende que a natureza dos bens não justifica ‘uma medida de natureza urgente’, como o leilão, e também negou o pedido do MP. No mesmo despacho, ele ainda autorizou a restituição ‘dos óculos de sol e do cinto apreendidos’ nos endereços de Richa.

O juiz destacou que são ‘bens pessoais de valor menos elevado’. Agora, o Ministério Público tem cinco dias para se manifestar a respeito dos objetos apreendidos e ‘que eventualmente não interessem ao processo’, para que também possam ser devolvidos.

Um homem de 32 anos, sua mulher, de 27, e o filho do casal, de apenas seis, foram mortos a tiros na noite deste domingo (16), em Ponta Grossa. Os três tinham chegado em casa, no bairro Chapada, quando foram alvos de aproximadamente 50 tiros. Outras três crianças, sendo duas delas outros filhos do casal, e uma mulher também acabaram feridas, mas passam bem.

Robson e Daniele Ferreira morreram na hora, em frente ao portão. Já a criança faleceu a caminho do hospital. Os outros dois irmãos ficaram feridos por causa dos estilhaços de vidro, enquanto a amiga do casal foi atingida, na mão, por uma das balas.

ACERTO DE CONTAS

Para o delegado Nagib Palma, da Polícia Civil do Paraná (PCPR), o caso está sendo investigado como um acerto de contas. Com passagens pela polícia, Robson estava em regime semiaberto e usava tornozeleira eletrônica após ser condenado por roubo.

“Pela forma que foi feita e a dinâmica que se percebe, foi um acerto de contas do mundo do crime. O personagem principal tinha passagens por roubo, a caixa eletrônico e pedágio, e por tráfico. Em 2014, ele já havia sofrido um atentado com um filho, então estamos com a investigação orientada nesse sentido”, disse.

As perícias mais detalhadas já foram solicitavas. Enquanto isso, a polícia tenta identificar o veículo utilizado pelos criminosos.

Nesta segunda-feira (16), um carro queimado foi encontrado nas proximidades do Mosteiro da Ressurreição, que fica no mesmo bairro onde o crime aconteceu. Com alguns indícios, a polícia acredita que exista ligação com o crime.

Entretanto, pelo menos por enquanto, a PCPR ainda não tem nenhum suspeito.

Vinicius Cordeiro – Paraná Portal
Foto: Divulgação / Polícia Civil

Depois do famoso golpe do motoboy, aonde bandidos convencem clientes de operadoras de cartão de crédito que seus cartões foram clonados e que é necessário entregá-lo para um motoboy, supostamente ligado à instituição financeira, um golpe ainda mais sofisticado tem feito várias vítimas no Paraná.

Agora, estelionatários acessam o aplicativo de conversas da vítima e disparam pedidos de depósitos em dinheiro para a lista de contatos – é o golpe do WhatsApp.

O NUCIBER (Núcleo de Combate aos Cibercrimes da Polícia Civil do Paraná), recebe dezenas de denúncias por dia de clientes que foram vítimas desse tipo golpe.

É tudo tão bem elaborado que a vítima entrega seus dados aos estelionatários, sem a menor desconfiança. Um ponto em comum que liga as vítimas é que todas elas fizeram algum anúncio em plataformas de vendas pela internet.

O GOLPE

Primeiro a vítima faz um anúncio em um site de compra e venda na internet. Assim que ela posta as informações do produto que quer vender, com os seus dados pessoais como nome e telefone, a quadrilha imediatamente faz o contato, através do telefone anunciado.

O golpe é tão organizado que fica fácil convencer a vítima de que trata de um funcionário da plataforma de anúncios, informando os dados da venda. É nesse momento que os bandidos convencem o anunciante do produto que é necessário acessar um código que será enviado por SMS para validar o anúncio.

A quadrilha passa então a ter total controle do aplicativo de WhatsApp registrado no número do celular da vítima, que fica sem o acesso.

Os criminosos disparam mensagem para os contatos registrados no celular, geralmente parentes e amigos próximos, pedindo o depósito de um valor em dinheiro a fim de atender uma emergência.

VÍTIMAS

Foi exatamente o que aconteceu com o consultor de carreiras, Cassiano Marcelus Ferreira. Minutos depois da publicação do anúncio da venda de um carro, em uma plataforma de compra e venda de veículos, a quadrilha entrou em contato, com todas as informações relacionadas ao carro e a postagem do consultor.

Se passando por um funcionário da plataforma, o estelionatário pediu para que ele validasse o código de verificação enviado por SMS e assim confirmar anúncio no site. Sem desconfiar de nada, Cassiano fez a verificação e perdeu o acesso ao WhatsApp logo em seguida.

“Foram apenas dois minutos entre a postagem e o telefonema. Deveriam estar monitorando já. Recebi o SMS, ainda falando ao telefone sobre a validação do anúncio. Assim que acessei o código, o WhatsApp perdeu a conexão. Quando fui ler a mensagem com calma percebi que vinha do próprio aplicativo. Foi só aí que entendi que havia caído em um golpe”, conta o consultor.

ALERTA

Para o delegado aposentado e agora consultor na área de crimes digitais, Demétrius Gonzaga de Oliveira, os criminosos passam boa parte do tempo garimpando anúncios de potenciais vítimas.

O consultor que já foi o delegado-chefe do NUCIBER, faz o alerta: “Nunca responda mensagens que solicitem verificação de códigos por SMS e desconfie sempre desse tipo de pedido quando você mesmo não fez nenhuma solicitação”.

Demétrius explica ainda que esse tipo de fraude pode ser evitada com o simples processo de dupla checagem disponível nas configurações do WhatsApp.

Para saber como funciona a verificação de conta em duas etapas do WhatsApp clique aqui.

O especialista orienta que as vítimas busquem imediatamente uma delegacia para o registro do boletim de ocorrência além de alertar por outros canais do ocorrido. “Quanto mais rápido a pessoa informar à sua rede de contatos de que o WhatsApp está nas mãos de bandidos, maiores as chances da quadrilha não conseguir receber os depósitos”, explica Demétrius.

Assim que entendeu o golpe, o consultor Cassiano avisou seus contatos pelas redes sociais. Ele conta que vários amigos começaram a ligar pra saber o motivo do pedido de dinheiro. Um dos amigos do consultor chegou a conversar com a quadrilha e a combinar o pagamento. “Meus amigos começaram a me ligar pra entender o que estava acontecendo e por sorte ninguém fez o depósito”, desabafa.

Para a diretora do Procon-PR, Cláudia Silvano, é preciso investir em informação. “É muito importante que antes de qualquer negociação de compra e venda pela internet, o consumidor fique atento às informações de fraudes nas próprias páginas que fazem intermediação desse tipo de negócio”. Sempre que o consumidor se sentir lesado pode buscar orientações no Procon da sua cidade ou pela plataforma www.consumidor.gov.br.

Demétrius explica ainda que além do boletim de ocorrência, a vítima precisa entrar em contato com o aplicativo e solicitar o bloqueio da conta. Geralmente o Whatsapp exige uma prazo de 7 dias para reconfigurar a conta e liberar novamente o aplicativo para o usuário. A reportagem do Paraná Portal fez contado com a empresa do aplicativo, mas até o fechamento da matéria, não obteve resposta.

Além disso é importante acionar a operadora do celular e autoridades de proteção ao consumidor, bem como bancos e instituições financeiras. Quanto mais dados referente à origem da quadrilha e ao destino dos depósitos, mas rapidamente as investigações podem alcançar os criminosos.

Ana Cláudia Freire – Paraná Portal