Destaques

Bolsonaro diz ser censurado no WhatsApp por limitação no encaminhamento de mensagens



Bolsonaro diz ser censurado no WhatsApp por limitação no encaminhamento de mensagens

O presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), criticou nesta sexta-feira (12) a limitação no encaminhamento de mensagens pelo aplicativo WhatsApp, considerado a medida, em vigor desde janeiro, uma forma de censurá-lo.

Nas eleições do ano passado, bolsonaristas tiveram como uma das principais estratégias de campanha a atuação por meio de redes sociais e aplicativo de mensagens.

Em janeiro deste ano, o WhatsApp anunciou a limitação do número de destinatários para encaminhar mensagens, permitindo apenas cinco por vez.

“Uma maneira de me cercear foi diminuir o alcance do WhatsApp”, disse Bolsonaro nesta manhã em uma live ao lado do apóstolo Valdemiro Santiago, fundador da Igreja Mundial do Poder de Deus, e do deputado federal Missionário José Olimpio (DEM-SP), ligado à mesma igreja.

“Há censura em cima disso. Temos que lutar contra isso”, afirmou o presidente, que também reclamou da diminuição de seu alcance no Facebook.

Bolsonaro entrou neste assunto ao dizer, sem mencionar o nome do partido, que o PT quis censurar a mídia e que ele jamais faria isso.

O presidente disse que ele trabalha pela liberdade de imprensa, apesar de afirmar que raramente lê os jornais porque, caso contrário, “começo envenenado o meu dia”.

Ao longo da live, Bolsonaro disse que, independentemente do que faça, será alvo de críticas, mas ponderou que “muitas vezes a crítica nos reorienta”.

Bolsonaro disse querer deixar o Brasil melhor para todo mundo e que pressionará sua assessoria para encaminhar logo ao Congresso um projeto de lei que estabeleça o voto impresso. Depois disso, afirmou não ter projeto de poder.

“Eu não tenho um projeto de poder como a gente sabe que o outro partido lá atrás tinha. E o poder é baseado em mentira e assalto ao bem público”, afirmou.

Bolsonaro disse saber que há pessoas mais preparadas, mas que é ele quem está na posição de decidir o futuro dos brasileiros.

“Sei que tem muita gente mais competente do que eu, mais preparada que eu, sei disso. Mas daqueles 13 candidatos [na última eleição presidencial], você tinha que escolher alguém”, afirmou.
“Quer você queira ou não, a minha caneta BIC aqui decide o futuro da sua vida”, disse aos internautas.

Em um momento de descontração, brincou que um chapéu da grife do Apóstolo Valdemiro custava R$ 5.000. O apóstolo disse que o preço era R$ 59,90, mas que estava em promoção, por R$ 52.
“Autorizei baixar o preço”, disse o líder religioso.

“Se o Paulo Guedes [ministro da Economia] cair, você vai ser meu ministro da Economia. Está baixando o preço das coisas”, reagiu Bolsonaro.

CAMPANHA NO WHATSAPP

Em 18 de outubro de 2018, a Folha de S.Paulo revelou que empresários impulsionaram disparos por WhatsApp contra o PT na campanha eleitoral.

Uma semana depois, o UOL mostrou que o PT também usou o sistema de envio de mensagens em massa e que a agência responsável pela campanha de Jair Bolsonaro teve registros de uso de um sistema apagados após a reportagem anterior da Folha de S.Paulo.

Oito meses depois de o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) abrir uma ação para apurar o impulsionamento de mensagens pelo WhatsApp durante as eleições, o processo ainda engatinhava, sem que ninguém tivesse sido ouvido.

No mês passado, reportagem da Folha de S.Paulo revelou que, segundo gravações obtidas do espanhol Luis Novoa, dono da Enviawhatsapps, empresas brasileiras contrataram uma agência de marketing na Espanha para fazer, pelo WhatsApp, disparos em massa de mensagens políticas a favor de Bolsonaro, então candidato a presidente.

Na ocasião, Bolsonaro afirmou que, assim como houve disparos favoráveis, também houve milhões de mensagens contrárias.

Disparos em massa utilizam sistemas automatizados que não são permitidos pela legislação eleitoral.

Além disso, pagamentos em benefício de um determinado candidato teriam de ser declarados à Justiça Eleitoral –do contrário, podem configurar caixa dois.

Após a publicação de reportagem sobre compra de pacotes de mensagens de WhatsApp por empresários nas eleições, integrantes da campanha de Bolsonaro negaram o uso dos disparos em massa ou qualquer tipo de automatização.

No dia em que a primeira reportagem foi publicada, em 18 de outubro de 2018, o então presidente do PSL, Gustavo Bebbiano, afirmou: “Nunca fizemos qualquer tipo de impulsionamento, de direcionamento. O nosso crescimento é orgânico. Muito antes de começar a pré-campanha, o candidato Jair Bolsonaro já tinha uma rede social muito, muito grande”, afirmou.

O então candidato Bolsonaro começou dizendo não ter controle sobre a compra de pacotes de mensagens de WhatsApp por empresas para disseminar material antipetista.

“Não tenho controle se tem empresário simpático a mim fazendo isso. Sei que fere a legislação. Mas não tenho controle, não tenho como saber e tomar providência”, disse Bolsonaro ao site O Antagonista na mesma data.

Posteriormente, passou a dizer que as reportagens eram fake news.



Source link

Escreva um comentário