Recordes dos portos

Os portos do Paraná fecharam o primeiro trimestre com dois novos recordes. No último mês, juntos, os terminais de Paranaguá e Antonina registraram o melhor março da história em volume movimentado. Foram 5.622.705 toneladas de cargas, entre importação e exportação. O volume é 7% maior que o registrado no mesmo mês de 2020 (5.235.158 toneladas). Novo marco também foi consolidado na quantidade de caminhões que passaram pelo Pátio de Triagem: 59.611 veículos, em 31 dias. “Com as perspectivas criadas neste primeiro trimestre, podemos afirmar que 2021 será, novamente, um ano bastante expressivo para o agronegócio, que movimenta quase 80% das nossas operações nos portos paranaenses”, afirmou o diretor-presidente da empresa pública Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia.

Números

Do total de 5.622.705 toneladas movimentadas nos 31 dias de março nos portos, 68,4% foram cargas de exportação – 3.847.174 toneladas. O volume foi 3% maior que as 3.738.289 toneladas registradas na exportação do mesmo mês de 2020. Os outros 31,6% foram das importações que somaram, no mês, 1.775.531 toneladas. A alta registrada em relação ao volume de carga em março de 2020 – com 1.496.869 toneladas – foi de 18,6%. Nos três primeiros meses do ano, os portos de Paranaguá e Antonina movimentaram 12.869.820 toneladas de cargas, nos dois sentidos do comércio. Comparado com as 12.545.180 toneladas registradas no mesmo período do ano passado, a alta registrada no trimestre foi de 3%. Em março, 59.611 caminhões passaram pelo Pátio de Triagem, antes de descarregar os granéis para exportação pelo Porto de Paranaguá. O novo recorde supera em 1.112 veículos o maior movimento já registrado, que foi de abril de 2020, com 58.499 caminhões passando pelo local.

Indústria de alimentos

De modo geral, a indústria brasileira de alimentos e bebidas teve bom desempenho em 2020, com crescimento de 12,8% no faturamento e de 1,8% no volume de produção em relação a 2019, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia). O aumento das vendas reais foi de 3,27% no período. No caso do Paraná, a indústria de alimentos teve desempenho superior à média nacional, pelo menos no que se refere à produção física. Segundo o economista Evanio Felippe, da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), em 2020 o setor cresceu 9,3%. Uma exceção na atividade industrial paranaense, que de modo geral sofreu um recuo de 2,6% na produção no primeiro ano da pandemia. Segundo Felippe, esse setor tem grande importância na economia paranaense, respondendo por 34% do Produto Interno Bruto industrial do Estado.

Máquinas autônomas

O mercado de máquinas autônomas do agronegócio deve chegar a R$ 836 bilhões em todo o mundo até 2031. Segundo a consultoria norte-americana, Fact.MR, isso representa um ritmo de crescimento de 10% ao ano. De acordo relatório divulgado nesta semana pela empresa, a tendência de adoção de tratores, colheitadeiras e outros equipamentos agrícolas autônomos estimula os fabricantes a investir em pesquisa e desenvolvimento (P&D) para capitalizar as oportunidades que se aproximam. O estudo explica ainda que as máquinas autônomas são altamente eficientes na economia de tempo, custo na produção, monitoramento de safras e análises de campo e solo. Outro fator é a necessidade de coletar dados. Neste caso, equipamentos autônomos podem ir além dos convencionais, usando Inteligência Artificial (IA) para agricultura de precisão e análise preditiva.

Carne de frango

As exportações brasileiras de carne de frango, considerando todos os produtos, entre in natura e processados, totalizaram 396 mil toneladas em março, segundo informou a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).  O número supera em 13,3% o total exportado no terceiro mês de 2020, com 349,5 mil toneladas. Em receita, os embarques de março alcançaram US$ 603,6 milhões, número 9,2% superior ao alcançado no terceiro mês do ano passado, com US$ 552,5 milhões. No trimestre, as exportações de carne de frango registraram alta acumulada de 1,44%, com 1.036 milhão de toneladas exportadas, contra 1,021 milhão de toneladas no mesmo período de 2020. Em receita, o saldo das exportações do setor alcançou US$ 1,559 bilhão, número 4,6% menor em relação ao mesmo período do ano anterior, com US$ 1,635 bilhão.

Carne bovina

Com a China ampliando suas compras após as comemorações do Ano Novo Lunar, o principal feriado daquele país, as exportações totais de carne bovina voltaram a crescer no mês de março. As informações são da Associação Brasileira de Frigoríficos, que compilou os dados fornecidos pela Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério da Economia. A movimentação do mês atingiu 159.422 toneladas, num crescimento de 8% sobre março de 2020 com suas 147.333 toneladas. A receita subiu de US$ 636,2 milhões em 2020 para US$ 713,5 milhões em março de 2021, num aumento de 12%. No acumulado do primeiro trimestre de 2021, a receita soma US$ 1,81 bilhão, praticamente igual ao valor do primeiro trimestre de 2020. Em quantidade, o acumulado de 2021 atingiu 411.025 toneladas contra 413.935 toneladas no mesmo período de 2020, o que significa ainda uma queda de 1%.

Sempre os chineses

As compras chinesas de carne bovina, somadas com as de Hong Kong, vêm em crescimento contínuo em 2021: em janeiro foram 74.707 toneladas; em fevereiro atingiram 79.895 toneladas e em março 93.692 toneladas. No acumulado dos três primeiros meses do ano isso significou uma participação de 59,9% nas exportações totais de carne bovina brasileira e de 60% na receita obtida. Na segunda posição em importações do produto brasileiro veio o Chile, com 18.205 toneladas (-22% em relação a 2020); na terceira as Filipinas, com 14.522 toneladas (+41%); os Estados Unidos ficaram em quarto lugar, com 14.092 toneladas (+ 117%); em quinto veio o Egito com 12.063 toneladas (-36%), enquanto Israel ocupou a sexta colocação, com 10.152 toneladas (-2,7%).

EUA de olho em Santa Catarina

Novo relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que orienta lideranças e monitora as safras do mundo todo, ressalta os esforços de Santa Catarina para aumentar a produção de grãos. O documento destaca o investimento de R$ 24 milhões da Secretaria de Estado da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural a fim de incentivar o cultivo de milho e cereais de inverno. O relatório cita os esforços da Secretaria da Agricultura para reduzir o déficit de grãos, que neste ano deve chegar a 5 milhões de toneladas devido à quebra na safra catarinense. Os investimentos do governo catarinense estão concentrados em duas frentes: apoio para aquisição de sementes de milho e pesquisa para ampliar a produção de cereais de inverno.

Carro por assinatura

Ter acesso a um carro novo por assinatura, da mesma forma que os serviços de streaming, como a Netflix, é a mais recente modalidade de venda que as montadoras trouxeram das matrizes para o Brasil. Introduzido por locadoras, o serviço era tratado como aluguel de longo prazo, similar ao leasing. A partir de meados de 2020, as montadoras entraram no ramo e adotaram o termo assinatura por incluir no contrato a maior parte dos custos com o veículo, como seguro, manutenção e impostos. Sete marcas – Audi, Caoa, Fiat, Jeep, Nissan, Renault e Volkswagen – lançaram programas. Assim como o serviço de streaming, que tem pacotes diferenciados, o preço da assinatura do carro depende do modelo, prazo de contrato (de um a três anos) e quilometragem mensal.

Desgastante

O presidente da Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (Abla), Paulo Miguel Junior, informa que 8% da frota de 1 milhão de veículos das locadoras são destinadas aos programas de assinatura. Essa participação, diz ele, tende a dobrar em dois anos. Além do custo, uma das vantagens da modalidade, em sua opinião, é o consumidor “se livrar de todo o trabalho da documentação, da manutenção e da parte mais desgastante que é a hora da revenda”. Miguel Junior afirma que muitas vezes as concessionárias oferecem preços aviltantes para o carro usado e realizar a venda por conta própria pode gerar insegurança em receber interessados na própria casa.

Recessão técnica

Um cenário de recessão técnica começa a se desenhar no Brasil, com um quadro “desanimador” para a atividade após perda de vigor no fim do primeiro trimestre, enquanto o país deve conviver com uma situação sanitária “ainda muito difícil” até junho, disse a gestora Rio Bravo em nota. A Rio Bravo prevê queda de 0,5% do Produto Interno Bruto entre janeiro e março e estabilidade da economia no segundo trimestre, mas ressalvou haver “probabilidade elevada” de nova retração, movimento que empurraria o Brasil a uma recessão técnica exatamente um ano depois da registrada após a eclosão da pandemia. A definição clássica de recessão técnica é de dois trimestres consecutivos de contração econômica.

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