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Doria desmente Bolsonaro e diz que o futuro da F1 ainda está em aberto

Governador diz lamentar frustrar o presidente, mas diz que brigará pela permanência da prova da maior categoria de automobilismo do mundo em Interlagos

Por Alexandre Salvadoraccess_time25 jun 2019, 17h59 – Publicado em 25 jun 2019, 17h20more_horiz

João Doria e o diretor-executivo da F1, Chase Carey

João Doria e o diretor-executivo da F1, Chase Carey (Governo do Estado de São Paulo/Divulgação)

Ao som do Tema da Vitória, a faixa instrumental tocada a um vencedor brasileiro nas transmissões de Fórmula 1, o governador de São Paulo, João Doria, encerrou o encontro que teve com o diretor-executivo da maior categoria de automobilismo do mundo, o americano Chase Carey. Após o encontro a portas fechadas no Palácio dos Bandeirantes, Doria disse confiar na permanência da corrida no Autódromo de Interlagos, na capital paulista, após 2020, quando se encerra o atual contrato com a F1. E fez questão de desmentir o que foi dito pelo presidente Jair Bolsonaro nesta segunda, que o destino da prova estava 99% fechado com o Rio de Janeiro.

“Lamento frustrar o presidente Bolsonaro, mas não há decisão tomada (sobre o futuro do GP Brasil de F-1 após 2020)”, disse o governador Doria. “Não é uma disputa política, eleitoral ou institucional. A nossa ação não significa cair em nenhuma desrespeito ou desafio ao presidente da República. Nem desmerecer o Rio. Mas é meu dever, como governador, ter a obrigação de defender o Estado de São Paulo e os brasileiros que vivem aqui, disse Doria ao rebater as falas do presidente de que o governador paulista deveria ser patriota. “Sou brasileiro, presidente, ao defender São Paulo, cumpro com a minha obrigação de governador dos brasileiros que moram aqui. Assim como Bruno Covas defende sua obrigação ao defender a cidade de São Paulo. Juntos podemos fazer melhor”, disse.Veja também

Doria diz não ter conversado com Bolsonaro antes de se reunir com os chefes da Fórmula 1, mas afirmou que sua amizade com o presidente não está abalada. “Pelo menos de minha parte”, disse o governador de São Paulo. Mesmo assim, fez questão de cutucar o chefe do Palácio do Planalto, ao comparar a forma como o governo federal e o estadual fazem a gestão de seus patrimônios. “Se há uma coisa que nós sabemos fazer é captar recursos com o setor privado, vide o Museu da Independência e o Museu Nacional do Rio de Janeiro. Um está nas cinzas o outro está com 220 milhões de reais em conta”, disparou o chefe do Palácio dos Bandeirantes.

Ao mesmo tempo, Doria ironizou o bairro do Rio de Janeiro onde se baseia o projeto do novo autódromo, que poderia receber eventualmente as corridas de F-1. “Avalio que os meios de comunicação deveriam visitar Deodoro para ver se há condições de fazer qualquer coisa neste prazo. Não há pauta eleitoral, não há disputa com o presidente. Há o sentimento de que o Brasil deve manter o GP. Recomendo que visitem e sobrevoem o local. Até porque não há estrada, só dá para chegar lá a cavalo. Mas não quero desmerecer a opção do Rio. Mas não há nada lá, nem acesso, nem energia, nem saneamento”.

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