Francielly Azevedo e Andressa Tavares – CBN Curitiba
Foto: Marcos Solivan / UFPR

Sete estudantes que foram substituídos da lista de aprovados no vestibular da Universidade Federal do Paraná (UFPR) entraram na Justiça contra a instituição. Eles pedem a suspensão do concurso até que o caso seja devidamente apurado.

No último dia 1º de setembro, um dia depois da divulgação do vestibular, a UFPR lançou uma nova lista, em que substituiu 31 nomes, destes 25 para o curso de Medicina em Curitiba e Toledo, duas do curso de Direito e uma para Odontologia, Fisioterapia, Biomedicina e Medicina Veterinária.

De acordo com a UFPR, uma “falha no processamento de dados” não contabilizou os ajustes nas notas de produção de texto depois que candidatos solicitaram recurso para uma nova correção. A instituição disse que só percebeu a falha depois da divulgação do resultado. Além disso, informou que os estudantes incluídos indevidamente na primeira lista deverão ter os casos solucionados nas chamadas complementares.

O vestibulando, Gabriel Zimmermann, que tinha sido aprovado em Medicina na UFPR para o campus Curitiba, acredita que é muito difícil que as chamadas complementares acolham os 21 estudantes que foram retirados da lista na capital.

“Eu realmente queria acreditar, mas infelizmente acho muito difícil. Das 31 pessoas que foram prejudicadas, 21 concorriam ao curso de Medicina em Curitiba. É um curso de alta concorrência e onde poucos são chamados nas chamadas complementares”, disse o estudante.

O processo dos estudantes está sendo analisado pela Justiça Federal. Na última segunda-feira (6), a juíza Vera Lúcia Feil Ponciano, da 6ª Vara Federal de Curitiba, estabeleceu um prazo de três dias para que a UFPR apresente documentos e se manifeste.

A magistrada determinou, ainda, que a decisão judicial deve ocorrer antes do dia 20 de setembro, data em que o ano letivo está previsto para ter início na UFPR. Segundo ela, isso é necessário “para não acarretar dano acadêmico aos autores”.

A estudante Elaine Pagnan Todorovski, de 20 anos, que também estava na primeira lista de aprovados em medicina, diz que tem convivido com um sentimento de vergonha.

“Muita vergonha, eu me isolei por três dias no meu quarto. Ter passado na UFPR e ter falado pra todo mundo, estava feliz por ter passado em Medicina. Falei para todos que tinha sido aprovada e muita gente comemorou comigo. Ver meus pais chorando de emoção por eu ter passado, não sei nem expressar a felicidade que tinha sido. E imagina a vergonha que senti depois que falar que era mentira, que não estava mais entre os aprovados”, relatou a jovem.

Mesmo drama psicológico vivido pela Rafaella Garbuio Jasinski, de 20 anos, que havia sido aprovada em Medicina. Ela conta que teve uma crise de pânico na noite em que viu a troca do nome dela na lista e, desde então, convive com suporte psiquiátrico.

“É uma dor que acho que só essas 31 pessoas sabem realmente como a gente está devastado. Eu simplesmente perdi o controle, essa noite realmente foi a pior da minha vida. Nunca senti tamanha tristeza, fiquei sem chão”, afirmou Rafaella.

A estudante Ana Paula Rodrigues Mendonça, de 24 anos, também foi uma das substituídas da lista do curso de Medicina. Ela, que estava há seis anos tentando ingressar na UFPR, afirma que não sabe se terá estrutura psicológica para prestar outros vestibulares.

“Não consigo pensar no que vou fazer agora. Eu tenho uma prova em outra instituição daqui três semanas, e não sei como vou me reerguer disso. Existem erros que não podem ser cometidos, não se brinca com sonhos, com vidas. Foi um dano moral, o que fizeram com a gente foi cruel demais”, disse a estudante.

A Rádio CBN Curitiba entrou em contato com a UFPR sobre a ação judicial impetrada pelos estudantes e aguarda retorno.

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