Destaques

Lula nega semiaberto: “não vai aceitar barganha”, diz advogado

Após passar a segunda-feira (30) reunido com advogados, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu que não vai aceitar a progressão para o regime semiaberto. Na última sexta-feira (27), o MPF (Ministério Público Federal) pediu à Justiça o petista comece a cumprir a pena em prisão domiciliar. O petista manteve a posição que vem defendendo desde a sua prisão e reafirmou que pretende sair da cadeia apenas quando for declarado inocente.

“O que o ex-presidente nos orientou é que, diante deste cenário, não vai aceitar barganha em condições estabelecidas pela Justiça”, afirmou o advogado Cristiano Zanin Martins, na saída da Superintendência Regional da Polícia Federal em Curitiba, onde passou a manhã e parte da tarde reunido com o ex-presidente.

De acordo com o defensor, Lula manteve a coerência de suas recentes decisões. O advogado ainda argumentou que o Estado não pode impor as condições que acredita ser mais conveniente.

“A partir dessa posição do ex-presidente, vamos tomar todas as medidas jurídicas cabíveis. A primeira delas é reiterar o julgamento de um habeas corpus no STF (Supremo Tribunal Federal) que discute a anulação da condenação de Lula”, afirmou.

“Vamos fazer o possível para que os habeas corpus sejam julgados o quanto antes. Esse é o caminho para a anulação”, adiantou Zanin.

Para traçar sua estratégia, o petista se reuniu nesta segunda-feira (30) com a maior parte de seus advogados. Estiveram presentes Gleisi Hoffmann, Fernando Haddad, Cristiano Zanin Martins, Manoel Caetano, Valeska Teixeira, Emídio de Souza, Luiz Eduardo Rocha e Luiz Eduardo Greenhalg.

PRESO

Lula foi preso no dia 7 de abril de 2018, ou seja, há 541 dias. Ele se entregou à Polícia Federal em São Paulo e acabou transferido para Curitiba após ser condenado, em segunda instância, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no processo relacionado ao triplex do Guarujá.

Além disso, Lula também já foi condenado em primeira instância em uma ação penal que tratava sobre propinas pagas por meio de reformas de melhoria em um sítio em Atibaia, no interior de São Paulo.

LAVA JATO

No pedido feito à Justiça, os procuradores Deltan Dallagnol, Roberto Pozzobon e Laura Tessler, além de outros, afirmaram que Lula tem bom comportamento carcerário e, dessa forma, faz jus à progressão de regime.

Em entrevista à Jovem Pan nesta segunda-feira (30), Deltan afirmou que Lula deve cumprir a sua pena como os demais presos, “nem mais, nem menos”.

“Quando uma pessoa cumpre os requisitos todos para a progressão de regime não tem só o direito, mas o Estado não pode exercer seu poder de prisão para além do que tem direito. Assim, uma vez cumpridos os requisitos, normalmente os réus pedem a progressão. Se o réu não pedir, é obrigação nossa, do Ministério Público pedir”.

Angelo Sfair e Vinicius Cordeiro – Paraná Portal
Foto: Marlene Bergamo/Folhapress

Escreva um comentário