Redação – Paraná Portal
Foto: Divulgação/PF

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira (31) uma operação para desarticular uma quadrilha responsável pela importação, comercialização e transporte de defensivos agrícolas ilegais em Santa Terezinha de Itaipu, no oeste do Paraná.

Segundo a PF, mais de 80 policiais federais cumpriram 20 mandados de busca e apreensão, um mandado de prisão preventiva e dois mandados de prisão temporária nas cidades paranaenses de Santa Terezinha de Itaipu, Foz do Iguaçu, São Miguel do Iguaçu, Medianeira, Ubiratã, Irati e ainda em Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso do Sul.

A importação ilegal ocorria por meio do Lago de Itaipu, em pequenas embarcações, que utilizavam portos clandestinos da região. Em seguida, os agrotóxicos eram armazenados em entrepostos situados em Santa Terezinha de Itaipu e Ubiratã, até serem comercializados nos estados do Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Rondônia, Amazonas e Pará.

Ainda conforme a PF, o líder da organização criminosa foi preso durante a operação, além de dois de seus principais auxiliares. Os policiais também apreenderam dinheiro, veículos, embarcações e imóveis, supostamente obtidos em razão das práticas criminosas.

A investigação apontou ainda que o grupo contava com auxílio de um funcionário de agência bancária em Foz do Iguaçu para abertura de contas com documentos falsos e movimentação de dinheiro ilegal obtido no esquema.

QUADRILHA ENTROU NA MIRA DA POLÍCIA FEDERAL EM 2019

A investigação foi iniciada em fevereiro de 2019, a partir de apreensões de cargas ilegais de agrotóxicos vindas do Paraguai. Verificou-se que a organização criminosa estaria relacionada com, ao menos, 10 prisões em flagrante por importação e transporte de agrotóxicos ilegais, receptação qualificada de veículos furtados ou roubados e adulteração de placas, em Foz do Iguaçu, Santa Terezinha do Itaipu, Corbélia, Céu Azul e São Miguel do Iguaçu.

Nessas ocorrências, foram apreendidas aproximadamente 1,8 tonelada de agrotóxicos ilegais, com valor de mercado de cerca de R$ 3,6 milhões.

A PF apurou que o grupo atuava na região do oeste paranaense pelo menos desde o ano de 2015 e supostamente foi responsável pela importação clandestina de dezenas de toneladas de defensivos agrícolas sem registro nos órgãos competentes, a maior parte de origem chinesa.

Por se tratar de produtos que podem causar danos ambientais e à saúde humana, sua importação é regulamentada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).

Um dos produtos mais importados pela quadrilha era o benzoato de emamectina, popularmente conhecido como “Benzo”, utilizado no combate à Helicoverpa armigera, espécie de lagarta comum nas lavouras brasileiras de soja, milho, feijão e algodão.

Em razão de ser muito poluente, o benzoato de emamectina era absolutamente proibido no Brasil até o ano 2017. Posteriormente, foi liberado seu uso em concentração máxima de até 5% (cinco por cento).

Durante as investigações, foram realizadas apreensões de benzoato de emamectina em concentrações de até seis vezes maiores do que a permitida.

Além da evasão fiscal, pelo não pagamento dos tributos devidos na importação e no comércio dos produtos, os crimes cometidos geraram danos ambientais em diversos estados da federação.

Os investigados supostamente cometeram os crimes de importação e transporte de agrotóxicos ilegais, receptação qualificada, adulteração de sinal identificador de veículo (adulteração de placas), falsificação de documentos e de organização criminosa. Se condenados, podem receber penas de até 35 anos de prisão.

A operação da PF foi batizada de Ruta Negra, que faz referência a uma das principais rotas do mercado negro de defensivos agrícolas no Brasil.

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