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Por propina de Belo Monte, Edison Lobão fez cobranças até em UTI

Alvo de investigação na 65ª fase da Lava Jato, o ex-senador Edison Lobão (MDB) é acusado de cobrar propina até mesmo na UTI de um hospital. Segundo a força-tarefa Lava Jato em Curitiba, o ex-ministro de Minas e Energia aproveitou uma “visita de cortesia” ao então presidente da Odebrecht Energia, Henrique Valladares, para solicitar vantagens indevidas em contratos para as obras de construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará.

O caso foi relatado pelo próprio ex-executivo da Odebrecht, que tornou-se delator da Operação Lava Jato. De acordo com Valladares, a situação ocorreu em 2012, quando ele estava internado na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro (RJ). Edison Lobão, então ministro de Minas e Energia, usou a visita na UTI para reforçar o pedido de propina pela participação da Odebrecht no Consórcio Construtor Belo Monte.

O MPF-PR (Ministério Público Federal no Paraná) sustenta que, “diante do delicado estado de saúde de Henrique Valladares”, Edison Lobão solicitou ao então presidente da Odebrecht Energia que este indicasse um interlocutor para intermediar a propina. Em contrapartida, o ex-senador prometeu aditivos contratuais que beneficiariam o grupo empresarial.

“Chamou muito a atenção a audácia do ex-ministro de Minas e Energia”, comentou o procurador da República Athayde Ribeiro Costa, em coletiva de imprensa referente à Operação Galeria, a 65ª fase da Lava Jato, desencadeada nesta terça-feira (10).

Ainda segundo o MPF-PR, Henrique Valladrares acabou por indicar o então diretor de relações institucionais da Odebrecht Energia, Ailton Reis, para tratar dos pagamentos de propina com Edison Lobão.

Não demorou para que eles chegassem a um acordo. Segundo a força-tarefa Lava Jato em Curitiba, os pagamentos indevidos – que haviam sido suspensos pelo ex-presidente do Grupo Odebrecht, Marcelo Odebrecht, que considerava a propina excessiva – foram retomados. E os aditivos contratuais prometidos por Edison Lobão também se concretizaram, formando o ciclo completo da corrupção.

Edison Lobão na mira da Lava Jato

A 65ª fase da Operação Lava Jato investiga cerca de 40 contratos em dois núcleos de corrupção. Um deles está ligado aos acordos da Transpetro, subsidiária da Petrobras, com o Grupo Estre. Outro núcleo concentra os contratos e aditivos relacionados à construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, cujas propinas foram pagas pelo Grupo Odebrecht.

Somados, os contratos chegam a R$ 1 bilhão. No período das supostas fraudes – ou seja, entre 2008 e 2014 – o patrimônio do filho de Edison Lobão, Márcio Lobão, saltou passou de R$ 8,9 milhões para R$ 44 milhões.

De acordo com a Lava Jato, Edison Lobão não foi alvo de buscas e apreensões nesta terça-feira (10). O filho dele, Márcio Lobão, foi preso preventivamente no Rio de Janeiro (RJ) e trazido ainda ontem para Curitiba. A força-tarefa pretende avançar nas investigações a partir das provas coletadas nos procedimentos contra o filho do ex-ministro e operadores ligados à família.

Angelo Sfair – Paraná Portal | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasi

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