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Servidores desocupam Alep e montam acampamento no Palácio Iguaçu



Servidores desocupam Alep e montam acampamento no Palácio Iguaçu

Os servidores estaduais montaram nesta quarta-feira (10) um acampamento no Palácio Iguaçu, sede do governo estadual. Depois de passarem a noite nas galerias da Assembleia Legislativa (Alep), cerca de 400 trabalhadores desocuparam a sede do Poder Legislativo no final da manhã. Eles estão em greve desde o dia 25 de junho.

Os grevistas prometem manter o novo acampamento até que o governo apresente uma proposta que possa ser debatida pelas categorias. Até o momento, as ofertas não agradaram.

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Foto: Ricardo Pereira/BandNews FM

Primeiro, o governador Ratinho Junior (PSD) ofereceu um reajuste salarial de 0,5% em outubro e 1,5% em 2020. Depois, o Palácio Iguaçu ofereceu pagar os 2% de forma integral, mas apenas a partir de janeiro do ano que vem.

Os valores ainda estão muito abaixo do que pedem os servidores, uma vez que a data-base deste ano foi calculada em 4,94%. Eles também denunciam uma defasagem de 17%, resultado de quatro anos de vencimentos congelados. Por isso, pedem que o parcelamento contemple um valor maior do que o proposto.

Desocupam Alep, ocupam Palácio

O presidente da Assembleia, deputado Ademar Traiano (PSDB), afirma que o projeto do governo só será votado depois do recesso parlamentar, em agosto.

“O que o movimento exige é que haja um compromisso firmado pela própria Assembleia. Eu acredito que a gente possa colocar um fim nesse impasse”, projetou o tucano.

A coordenadora do Fórum das Entidades Sindicais (FES), Marlei Fernandes, argumenta que o Executivo tem condições de melhorar a oferta.

“Foi uma noite de resistência ativa para reabrir a negociações. Acho que estamos perto de chegar a um defecho em relação à data-base. O governo precisa apresentar uma proposta melhor e já sabe disso. Cada vez que o governo coloca que tem dificuldades [financeiras], nós mostramos cálculos que indicam que é possível reajustar ainda neste ano”, explicou.

O líder do governo na Assembleia, Hussein Bakri (PSD), diz que o Paraná está na contramão de outros estados – que não ofereceram nenhum tipo de reajuste. O deputado garante que não haverá outra proposta.

“Dentro das possibilidades do governo atual, estamos dizendo que fizemos todo o esforço possível: 4,95% de reajuste, sendo 2% em janeiro e as demais parcelas subsequentes distribuídas pelos próximos anos. Essa é a palavra do governo”, cravou.

Para o deputado Tadeu Veneri (PT), existe margem para negociação e, portanto, o governador deveria atender a demanda dos servidores.

“O governo do estado não pode ficar surdo. O governador Ratinho Junior foi quem comandou aqui [enquanto deputado, na Assembleia] a rejeição à proposta de reajuste de 1% da ex-governadora Cida Borghetti (PP). Ratinho sabia muito bem naquele momento que estava fazendo um movimento para que os servidores não tivessem o 1% porque ele havia se comprometido a pagar todos os reajustes anteriores. Hoje, ao não fazê-lo, ele cria uma frustração muito grande”, analisou.

Os trabalhadores prometem continuar em greve enquanto não houver acordo. Ainda não há previsão para uma eventual nova proposta.

Negociações estacionadas

Vídeo: Vanessa Fernandes/CBN Curitiba

Após um ato unificado que reuniu milhares de servidores no Centro Cívico nesta terça-feira (9), representantes de várias categorias assistiam à sessão plenária na Alep. Eles aguardavam as discussões relacionadas às pautas da greve. Inflamados pelo discurso do deputado missionário Ricardo Arruda (PSL), contrário às manifestações, os trabalhadores passaram a ocupar as demais galerias do Plenário. A sessão foi interrompida por cerca de meia hora.

Aos gritos de “covardes” e “vergonha”, os deputados viram a sessão plenária ser interrompida por cerca de meia hora, enquanto os servidores tomavam as galerias do prédio. A sessão chegou a ser retomada, mas foi encerrada minutos mais tarde por Ademar Traino (PSDB).



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