Resultados da segunda imunização em camundongos feita com a vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela UFPR (Universidade Federal do Paraná) apresentaram indicadores surpreendentemente positivos, informou a instituição nesta quinta-feira (17).

Conforme a UFPR, comparados com os ensaios pré-clínicos da vacina de Oxford, os resultados apontaram títulos de anticorpos comparáveis e até superiores aos reportados pela universidade britânica. Em parceria com a AstraZeneca, a vacina ChAdOx1 nCoV-19 recebeu financiamentos vultosos e já está em fase final de testagem.

O professor do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular da UFPR, Marcelo Müller dos Santos, explica que o título é uma medida da quantidade de anticorpos no soro sanguíneo, obtida a partir de uma série de diluições crescentes do soro. O processo é feito para observar a diferença entre a amostra imunizada e a controle, que recebe apenas as partículas sem a proteína do vírus.

“Nós diluímos o soro 16 mil vezes e ainda podemos observar muitos anticorpos nessa diluição. Isso quer dizer que provavelmente teremos que diluir ainda mais para encontrar o ponto final, unidade em que normalmente os resultados são expressos”, revela Santos, um dos responsáveis pelo estudo.

Os estudos de imunização em camundongos publicados sobre a vacina AstraZeneca/Oxford relatam títulos em torno de 10 mil após 42 dias da aplicação de duas doses do produto. Isso quer dizer que o soro teve que ser diluído dez mil vezes para atingir o valor mínimo que ainda diferenciava a amostra imunizada da amostra de controle.

Os experimentos foram realizados com micropartículas e com nanopartículas, uma diferença de tamanho de aproximadamente mil vezes entre as duas. A conclusão é que as nanopartículas são mais viáveis por causarem menos incômodo no paciente e porque possivelmente melhoram a resposta imune.

“Temos a expectativa de que as nanopartículas consigam chegar a setores do nosso sistema imune que as partículas maiores não são capazes. Mas, até o momento, os dois sistemas testados funcionam muito bem”, explica Santos.

Os próximos testes pretendem descobrir se os anticorpos produzidos pela imunização têm efeito neutralizante, isto é, se eles impedem que o vírus interaja com os receptores das células. “Digamos que uma pessoa tenha, no organismo, anticorpos com potencial para reconhecer o coronavírus. Se a pessoa for infectada e esses anticorpos reconhecerem rapidamente o coronavírus e se ligarem aos receptores do vírus antes que eles reconheçam os receptores das células do organismo, há o efeito neutralizante, pois provavelmente o vírus não conseguirá infectar células do trato respiratório”, exemplifica Santos.

Os pesquisadores acreditam que, pela quantidade de anticorpos presente no sangue imunizado, as chances de que tenham esse efeito neutralizante são muito boas. “Se demonstrarmos essa capacidade, podemos pensar seriamente na fase um de testes clínicos”, avalia.

Ele comenta que a plataforma tecnológica vacinal criada na UFPR, cuja forma de ligar o antígeno à nanopartícula é diferente, é inovadora e relativamente barata se comparada com outras existentes no mercado. “Todas as vacinas disponíveis contra a Covid-19 foram desenvolvidas a partir de uma plataforma de vacina que já estava pronta. Os cientistas aplicaram o que conheciam sobre fazer vacina contra coronavírus e hoje temos um recorde de tempo que dificilmente será batido no desenvolvimento de uma vacina”.

Redação – Paraná Portal
Foto: Arquivo/UFPR

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